sexta-feira, 26 de junho de 2026

O que é a Peshita?

 


Há quem defenda que a Peshita ser a versão original da Bíblia,  chamada de Primazia Aramaica

O amplo consenso entre historiadores e arqueólogos bíblicos aponta que a Peshitta é, na verdade, uma tradução antiga de alta qualidade técnica. O Antigo Testamento foi traduzido do hebraico (com forte influência das tradições judaicas e traços da Septuaginta), e o Novo Testamento foi traduzido do grego antigo (Koiné) para o siríaco, um dialeto do aramaico oriental. 

Entendendo a Posição da Peshitta na História
Para compreender o papel exato deste manuscrito na história das Escrituras, os seguintes pontos são determinantes:
  • O Idioma Siríaco: O termo Peshitta significa "versão simples" ou "comum" no idioma siríaco. O siríaco é de fato uma ramificação do aramaico, mas o dialeto específico usado no manuscrito consolidou-se em uma época posterior à vida de Jesus e de seus apóstolos. 
  • A Datação: A compilação da Peshitta como o texto bíblico padrão das igrejas orientais só alcançou sua forma unificada por volta do século V d.C.. Os textos gregos mais antigos conhecidos do Novo Testamento antecedem essa data em séculos. 
  • Livros Ausentes: Originalmente, o cânone do Novo Testamento da Peshitta continha apenas 22 livros, excluindo textos como o Apocalipse de João, a Segunda Epístola de Pedro e as cartas de Judas, 2 João e 3 João. Esses livros só foram integrados às traduções siríacas posteriores. 
  • Evidências Linguísticas: Análises linguísticas mostram a presença de construções e trocadilhos que fazem total sentido no grego koiné original, mas que perdem o formato fluido ou são explicados de forma artificial quando vertidos para o siríaco. Isso atesta que o grego serviu de base principal para a criação do texto da Peshitta no Novo Testamento. 
De onde surge a ideia de "Primazia Aramaica"?
A corrente alternativa que defende a Peshitta como a versão original é chamada de Primazia Aramaica. Essa teoria é sustentada de forma ativa pela tradição interna da Igreja Apostólica Católica Assíria do Oriente e ganhou certa força popular no Ocidente no século XX por meio de publicações de George Lamsa. 
O argumento central dessa linha de pensamento é que Jesus e os discípulos conversavam cotidianamente em aramaico. Contudo, a academia demonstra que, embora os diálogos originais fossem aramaicos, os autores bíblicos escolheram registrar os relatos no idioma grego por ser a língua franca usada internacionalmente no Império Romano para disseminar ideias de forma rápida e abrangente. 
Qual o valor real da Peshitta hoje?
Apesar de não ser a matriz original, a Peshitta é uma ferramenta extremamente respeitada no campo da crítica textual. Pelo fato de ter sido vertida muito cedo a partir de cópias hebraicas e gregas que já se perderam no tempo, ela auxilia os pesquisadores a identificar variações de cópias, remover adulterações textuais tardias e aproximar leitores modernos do ambiente semítico cultural daquela época histórica

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  • Contém notas históricas sobre o texto aramaico e tabelas de pesos e medidas.
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  • Apresenta o texto bíblico organizado em duas colunas, facilitando a dinâmica de leitura.
  • Está disponível diretamente na loja oficial da BVBooks ou por vendedores especializados no Rei das Bíblias. 

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